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terça-feira, 21 de junho de 2011
MULO !!

sábado, 18 de junho de 2011
QUIROMANCIA E QUIROLOGIA !!
A palavra Quiromancia origina-se do grego "Kheiromanteia" e significa : "Kheir" Quiro = mão e "Manteia" Mancia = adivinhação, isto é adivinhação dos segredos através da interpretação das linhas das mãos, que podem revelar o destino das pessoas, pois os antigos sábios acreditavam que nosso Passado, Presente e Futuro, já estavam registrados no formato e linhas de nossas mãos, determinando nosso comportamento e personalidade, sendo Passado, Presente e Futuro apenas diferentes estados de consciência.
A Quiromancia é uma ciência muito antiga, foi muito utilizada no antigo Egito e encontram-se registros desta arte divinatória nos manuscritos Assírios, Egípcios, Chineses e Indianos há mais de 4 mil anos. Teria se originado na Índia, oriunda de uma ciência milenar de caráter racional e lógico chamada de "Palmistry" traduzida como "Quiromancia Védica" e era praticada pelos yogues.
Conta uma antiga lenda que existe no Himalaia uma caverna onde vive um Yogue de mais de 400 anos de idade, que se encontra em estado de meditação (samadhi) e que é portador de um antigo livro, feito com peles das palmas de mãos humanas mumificadas onde pode-se observar perfeitamente suas linhas. Segundo a lenda, este antigo livro tem sido utilizado por monges estudantes da "antiga arte", durante milhares de anos.
Atualmente atribui-se aos Ciganos a arte da leitura das mãos. Sabe-se que os Ciganos originam-se do norte da Índia e que emigraram para a região de Tiblisi, no sul da Rússia, dali para a Romênia, de onde se expandiram para o resto do mundo. Desde criança os Ciganos aprendem a ler as mãos. Esse é seu trabalho mais rendoso, pois da previsão do destino nas mãos nascem os feitiços e magias para o amor e os trabalhos para melhorar a vida. Os Ciganos a praticam até hoje em suas Ofisas (Templo Cigano), praças, feiras, etc.
A Quiromancia foi exaustivamente estudada na Europa da Idade Média, e muitas vezes associada à Astrologia. Enquanto a Astrologia nos informa da influência dos astros em nossas vidas, a Quiromancia procura explicar a influência da mente, manifestada na palma de nossas mãos. Ambas atuando em perfeita harmonia e sincronização.
Essas influências ocorreriam no plano do inconsciente, portanto é comum que não as aceitemos imediatamente, porém, a medida em que os segredos nos são revelados, e o inconsciente torna-se consciente, nos convencemos da realidade dos fatos e de determinadas "coincidências". Passamos, então a compreender como essas influências atuam em nossas vidas e que podemos evitá-las ou potencializá-las, se assim o desejarmos. O propósito prático da Quiromancia é ajudar as pessoas em suas vidas a identificar suas potencialidades, suas deficiências e principalmente, fazer a coisa certa no momento certo.
O Quiromante deve ser transcendental e objetivo, deve compreender que cada ser humano é individual e único. Considerando-se que as pessoas são diferentes, não poderá aconselha-las todas de uma única maneira, o que é remédio para um, pode ser veneno para outro.
Para tornar-se um bom Quiromante, alem de estudar muito, deve-se desenvolver a sensibilidade e procurar aconselhar as pessoas com responsabilidade.
A função do Quiromante consiste apenas em mostrar o caminho do pensamento positivo, nunca dizer "faça isso ou aquilo", para não interferir no livre-arbítrio de cada um, em caso de dúvidas, deve-se aconselhar o consulente a seguir a sua consciência e a sua intuição, para que este tome suas próprias decisões.
Existem algumas regras estabelecidas pela própria natureza , que devem ser respeitadas por todos os praticantes da Quiromancia e de outras artes divinatórias, dentre essas regras as mais importantes são :
1 – Não utilizar esse conhecimento para fins mundanos, por exemplo aconselhar o (a) consulente a ser infiel ou agir desonestamente.
2 – Não utilizar a Quiromancia em benefício próprio, isto é ao Quiromante é proibido interpretar as linhas de suas próprias mãos.
3 – Outra regra importante é que, por envolver assuntos relacionados ao karma da pessoa, deve haver algum esforço por parte de quem deseja se consultar, portanto toda consulta deve ser cobrada, tal como acontece com qualquer consultor ou psicanalista, afim de que sejam valorizados seu conhecimento e dedicação.
Se quebrar essas regras, alem de atrair para si o "Karma" da pessoa, perderá seu poder e conhecimento e sua vida se tornará um inferno.
O estudo analítico das características das mãos, como forma, cor, temperatura, linhas, etc. chama-se "Quirologia" e deve ser objeto de estudo de todo "Quiromante" sério.
O conceito ocidental de destino, trata de algo preestabelecido e que portanto não pode ser mudado. O Conceito de karma é diferente, é uma palavra sânscrita, sua raiz "kri" refere-se ao verbo fazer e significa : "ação, movimento, atividade", portanto nosso futuro será estabelecido pelas nossas atividades atuais e pode ser mudado se mudarmos nossa maneira de atuar em nossas vidas, geralmente conhecido como "lei de causa e efeito".
"Guna" significa "natureza" e se refere tanto à natureza macrocósmica universal quanto à natureza individual. Na Guna estão impressos o caráter, a personalidade e o temperamento de cada ser humano, que indicam as tendências particulares de cada indivíduo.
A Mão é uma estrutura completa onde se manifestam "Guna" e "Karma", por isso recomenda-se fazer uma análise completa das mãos antes de emitir qualquer opinião.
A "Guna" pode ser observada pela cor, forma, temperatura, tamanho, umidade, etc. Esta observação presta-se principalmente para identificar problemas físicos ou psicossomáticos resultantes de estados emocionais alterados.
Observação da Cor das palmas das mãos :
Via de Regra todo tipo de pigmentação é sinal de fraqueza e deve-se recomendar a ajuda médica de acordo com o sintoma identificado na leitura.
VEJAMOS ALGUNS EXEMPLOS :
Saúde Física :
Pigmentação amarelada : Problemas no fígado e glândulas em geral.
Pigmentação azulada : Infecção nos rins que é transmitida ao sangue.
Pigmentação avermelhada : Problemas circulatórios.
Pequenas bolinhas brancas estouradas : Taxas altas de glicose, Diabetes.
Estados Emocionais :
Mão Branca : Espiritualidade, pessoa calma.
Mão rosada : Bondade, pessoa generosa.
Mão avermelhada, quente e úmida : Paixão descontrolada, pessoa colérica.
Mão rude e áspera : Ignorância, pessoa egoísta.
Mão suave : Intelectualidade, pessoa sensível.
Observação das Formas das Mãos :
Pelo método de D'Arpentigny ( Célebre Quiromante Francês do Sec; XIX ).
1 – Mão Elementar : Mão roliça, palma curta, dedos curtos e movimentos grosseiros
Pessoas apaixonadas e de mentalidade frágil. Pessoas sem grandes aspirações, demasiado comuns, vivendo sob a esfera das demais.
2 – Mão Quadrada : Mão roliça, palma longa, dedos curtos e movimentos leves.
Pessoa prática, lógica, quase fria. De costumes rotineiros e ordenados. Grande capacidade de realização, obstinada pelos seus objetivos, pouco original ou imaginativa.
3 – Mão Espatulada : Mão magra, ligeiramente torta, ponta dos dedos arredondados :
Pessoa entusiástica pelas boas coisas da vida, porém irrequieto e pessimista. As vezes bonachão, faltando-lhe persistência.
4 – Mão Filosófica : Mão magra, dedos nodosos :
Pessoa dedutiva, analista, meditativa, com tendência à filosofia e buscam a verdade interior. São pessoas honestas, justas e moderadas com outras pessoas.
5 – Mão Cônica : Mão Longa, firme e desenvolvida :
Pessoa sensual e extrovertida, imaginação fértil e de pouco raciocínio. Aprecia a beleza, as artes em geral, tem fome de poder e apego exagerado ao dinheiro.
6 – Mão Psíquica : Mão bonita e harmoniosa :
Pessoa de personalidade inquieta, intensa paixão pelo idealismo. Sonhadora , seu estado de espírito é cíclico e alternado. Complexa e neurótica.
7 – Mão mista : Mão que reúne características de dois, três ou mais tipos :
São pessoas muito comuns, na qual a maioria se enquadra, sem grandes aspirações e de mentalidade mediana. Comportamento e gosto vulgares.
Introdução à leitura das mãos.
O método à seguir tem por referência a mão de uma pessoa destra, isto é faz-se a leitura na mão direita e a confirmação na mão esquerda, quando necesssário.
As linhas da mão direita são mutáveis, isto é transformam-se com o passar do tempo e as experiências adquiridas, já as linhas da mão esquerda são imutáveis e estão relacionadas ao "Karma" que trazemos de vidas passadas.
Obs : Caso o(a) consulente seja canhoto(a), deve-se inverter a ordem das mãos.
Para procedermos à leitura das mãos, dividimos os sinais nas mãos em três partes distintas : montes, linhas e sinais cabalísticos, pelas quais podemos identificar o karma. Isto é através desses, montes, linhas e sinais, identificamos o que a pessoa realizou, o que está realizando agora e o que está por realizar.
As linhas fundamentais são divididas em Principais e Secundárias .
As principais ( em vermelho )são : Linha da Vida, Linha da Cabeça, Linha do Coração, Linha do Destino, Linha do Sol, Linha da Saúde, Cinturão de Vênus.
Veja a seguir alguns exemplos de linhas observadas com maior freqüencia.
Linha da Vida : | |
Linha da Cabeça : | |
Linha do Coração : | |
Linha do Destino : | |
Linha do Sol : | |
Linha da Saúde : | |
Cinturão de Vênus : |
As secundárias ( em azul ) são : Linha de Marte, Linha da Paixão, Linha da intuição, Linha do casamento, Braceletes.
Linha de Marte : | |
Linha da Paixão : | |
Linha da Intuição : | |
Linha do Casamento : |
Além desses aspectos, existem outros a considerar, como por exemplo as linhas que cortam a do casamento representam os filhos, linhas grossas filhos homens, linhas finas mulheres, linhas dos filhos cortadas significam perdas.
Braceletes : Fáceis de identificar, localizam-se na base da palma da mão, próximo ao pulso. Podem ser um, dois ou três. Bem definidos, saúde boa. Interrompidos, vaidade, insegurança, mentira.
As áreas mais carnosas em torno das palmas das mãos ( veja ilustração acima ), são chamadas "Montes" e receberam os nomes dos sete planetas mágicos das antigas tradições, são eles : Monte de Vênus, Monte de Júpiter, Monte de Saturno, Monte do Sol, Monte de Mercúrio, Montes de Marte = ativo (+) passivo (-) e Monte da Lua.
Monte de Vênus : | |
Monte de Júpiter : | |
Monte de Saturno : | |
Monte do Sol : | |
Monte de Mercúrio : | |
Montes de Marte : | |
Monte da Lua : |
Os Sinais Cabalísticos
Os sinais que aparecem nas mãos, alem de ter o seu significado particular observado, devem ser interpretados em conjunto com as linhas e montes onde se apresentam.
Os sinais mais freqüentes são :
Linhas Quebradas : Perda de força e concentração.
Correntes : Perda de energia, indecisão, insegurança.
Ponto : Fato negativo, pode indicar acidente ou doença.
Ilha : Rupturas, rompimentos, doença, perda de energia
Linha Bifurcada : Fim da linha da vida, mudança. Fim da linha da cabeça, pais separados.
Grade : Representa dificuldades, caminhos fechados
Cruz : Sofrimento
Triângulo : Proteção
Pentagrama ( Estrela de Cinco Pontas ) : Sorte e evolução espiritual. Êxito nos negócios.
Hexagrama ( Estrela de Seis Pontas ) : Dom da Cura. Proteção e luz espiritual.
Tridente ( Garfo de Três Dentes ) : Pessoa possui dupla personalidade.
Quadrados : Caminhos fechados. Dificuldade nos negócios. Insucesso.
O estudo da Quirologia e da Quiromancia é muito vasto, abordamos apenas o conhecimento mínimo necessário para que o interessado tenha uma noção básica dessa antiga e maravilhosa arte divinatória.
MAIS SOBRE OS CIGANOS !! PARTE 2 ..
Ciganos é um exônimo para roma (singular: rom; em português, "homem") e designa um conjunto de populações nômades que têm em comum a origemindiana e cuja língua provinha, originalmente, do noroeste do subcontinente indiano.
Essas populações constituem minorias étnicas em inúmeros países, entre a Índia e o Atlântico, e são conhecidas por vários exônimos. O endônimo "rom" foi adotado pela União Romani Internacional ( em romani: Romano Internacionalno Jekhetanipe) e pelas Nações Unidas.
Na Europa, esses povos, de origem indiana e língua romani, são subdivididos em diversos grupos étnicos:
- Rom ou roma propriamente ditos, presentes na Europa centro-oriental e, a partir do século XIX, também em outros países europeus e nas Américas;
- Sinti, encontrados na Alemanha, bem como em áreas germanófonas da Itália e da França, onde também são chamados manoush;
- Caló, os ciganos da Península Ibérica, embora também presentes em outros países da Europa e na América, incluído o Brasil.
- Romnichals, principalmente presentes no Reino Unido, inclusive colônias britânicas, nos Estados Unidos e na Austrália.
Além de migrarem voluntariamente, esses grupos também foram historicamente submetidos a processos de deportação, subdividindo-se vários clãs, denominados segundo antigas profissões procedência geográfica, que falam línguas ou dialetos diferentes.

Em razão da ausência de uma história escrita, a origem e a história inicial dos povos roma foram um mistério por muito tempo. Até meados do século XVIII, teorias da origem dos roma se limitavam a especulações. No final do século, antropólogos culturais levantaram a hipótese da origem indiana dos roma, baseada na evidência linguística - o que foi posteriormente confirmado pelos dados genéticos.
Em 1777, Johann Christian Cristoph Rüdiger, professor da Universidade de Halle, na Alemanha, em carta aolinguista Hartwig Bacmeister, sugere uma possível ligação entre o romani e as línguas da Índia. Rüdiger baseava suas conjecturas em pistas fornecidas pelo próprio Bacmeister e por seu professor, Christian Büttner, mas também na sua própria pesquisa, realizada com a ajuda de uma falante de romani, Barbara Makelin, e apoiada em gramáticas hindustani. A hipótese teve ampla circulação entre seus colegas acadêmicos. Em 1782, Rüdiger publicou um artigo intitulado "Sobre o idioma indiano e a origem dos ciganos", no qual compara as estruturas gramaticais do romani com as do hindustani. Trabalhos seguintes deram apoio à hipótese de que a língua romanipossuía a mesma origem das línguas indo-arianas do norte da Índia. Baseado no dialeto sinti, este é o primeiro esboço gramatical acerca de uma variedade do romani, e é também a primeira comparação sistemática do romani com outra língua indo-ariana.
Origem e migrações
Os roma originaram-se de populações do noroeste do subcontinente indiano, das regiões do Punjab e do Rajastão, obrigadas a emigrar em direção ao ocidente, possivelmente em ondas, entre c. 500 e c. 1000 d.C.. Iniciaram a sua migração para a Europa e África do Norte, pelo planalto iraniano, no século XI, por volta de 1050. A saída da Índia provavelmente ocorreu no contexto das invasões do sultão Mahmud de Ghazni (região do atual Afeganistão). Mahmud fez várias incursões no norte da Índia, capturando os povos que ali viviam. Segundo o antropólogo José Pereira Bastos, professor da Universidade Nova de Lisboa, no inverno de 1019 - 1020, o sultão saqueou a cidade sagrada de Kannauj, que era então "uma das mais antigas e letradas da Índia, capturando milhares de pessoas, e vendendo-as em seguida aos persas". Estes, por sua vez, venderam os prisioneiros como escravos na Europa. No Leste Europeu, cerca de 2.300 deles foram para a zona dos principados cristãos ortodoxos da Transilvânia e da Moldávia, onde foram convertidos em escravos do príncipe, dosconventos e dos latifundiários.
Por volta do século XI a língua romani apresenta claros traços de línguas indo-arianas modernas,.
Já no século XIV, devido à conquista territorial e política de estados indianos, muitas caravanas rom partiram para a Europa, Oriente Médio e Norte da África. É segunda onda migratória, que os roma denominam Aresajipe. Um primeiro grupo tomou rumo oeste e atingiu a Europa através da Grécia; o segundo partiu para o sul, adentrando o Império Bizantino e chegando àSíria, Egito e Palestina.
Na Europa, em razão de clivagens internas e da interação com as várias populações europeias, os roma emergiram como um conjunto de grupos étnicos distintos, dentro de um conjunto maior. Alguns desses grupos foram escravizados nos Bálcãs, no território da atual Romênia, enquanto outros puderam se movimentar, espalhando-se principalmente pela Hungria, Áustria e Boêmia, chegando à Alemanha em 1417. Em1422 chegam a Bolonha. Em 1428, já havia ciganos na França e na Suíça. Em 1500, surgiram os primeiros ciganos ingleses.
A terceira onda migratória deu-se entre o século XIX e início do século XX, da Europa para as Américas, após a abolição da servidão na Europa Oriental, entre 1856 e 1864. Alguns estudiosos apontam ainda a ocorrência de uma outra grande migração, proveniente da Europa Oriental, desde a queda do Muro de Berlim.
Perseguições
Durante as perseguições do século XV, contra judeus e muçulmanos, começa também a caça aos ciganos. Segundo o antropólogo José Pereira Bastos, professor da Universidade Nova de Lisboa, "eram considerados vagabundos e delinquentes. Na Alemanha e na Holanda, eram exterminados a tiros por caçadores pagos por cabeça. Na Europa, o propósito de extermínio dos ciganos sempre foi muito claro". Os anos de 1555 e 1780 são particularmente marcados por atos de violência contra os ciganos, em vários países.
A falta de uma ligação histórica precisa a uma pátria definida ou a uma origem segura não permitia que fossem reconhecidos como grupo étnico bem individualizado, ainda que por longo tempo tenham sido qualificados como egípcios. O clima de suspeitas e preconceitos se percebe no florescimento de lendas e provérbios tendendo a pôr os roma sob mau prisma, a ponto de recorrer-se à Bíblia para considerá-los descendentes de Caim, e portanto, malditos. Difundiu-se também a lenda de que eles teriam fabricado os pregos que serviram para crucificar Jesus (ou, segundo outra versão, que eles teriam roubado o quarto prego, tornando assim mais dolorosa a crucificação). Caracterizados pelo nomadismo, o modo de vida dos ciganos e suas condições de subsistência são sempre determinados pelo país em que se encontram: os mais ricos são os ciganos suecos e os mais pobres encontram-se nos Bálcãs e no sul da Espanha.
Embora mantendo sua identidade, em alguns aspectos os roma revelam grande capacidade de integração cultural: sempre professam a religião local dominante, da mesma forma que suas danças, músicas, narrativas e provérbios manifestam a assimilação da cultura no meio em que vivem. Sua capacidade de assimilar a música folclórica permitiu que muitas peças fossem salvas do esquecimento, principalmente as do Oeste Europeu. Excluindo as publicações soviéticas sobre o assunto, existem apenas nove livros escritos em romani.
Durante a Segunda Guerra Mundial, entre duzentos e quinhentos mil ciganos europeus teriam sido exterminados nos campos de concentração nazistas. Entre os roma, o massacre é denominado de porajmos e começou a ser recuperado pela historiografia apenas a partir dos anos 1970.
No dia 2 de abril de 2009, o presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, recebeu um prêmio pelo trabalho desenvolvido pelo Parlamento Europeu na defesa dos direitos da comunidade rom na Europa. O prêmio foi entregue por representantes das principais organizações europeias, em nome da comunidade rom, antes do Dia Internacional dos Roma, que se celebra no dia 8 de abril. Dos 12 a 15 milhões de roma que vivem na Europa, 10 milhões vivem em Estados-Membros da União Europeia, a maioria dos quais adquiriu a cidadania europeia com o alargamento de 2004 e a adesão da Romênia e da Bulgária em 2007.
Deportação de ciganos da França em 2010
Religião
Os roma não têm uma religião própria, um deus próprio, sacerdotes ou cultos originais. Parece singular o fato de que um povo não tenha cultivado, no decorrer dos séculos, crenças em uma divindade particular, nem mesmo primitiva, do tipo antropomórfico ou totêmico. O mundo do sobrenatural é constituído pela presença de uma força benéfica, Del ou Devél, e de uma força maléfica, Beng, contrapostas, numa espécie de zoroastrismo, provável resíduo de influências que esta crença teve sobre grupos que, em época remota, atravessaram o Irã. Ademais, as crenças ciganas incluem uma série de entidades, cuja presença se manifesta sobretudo à noite. Mas, em geral, os roma parecem ter-se adaptado, ao longo da história, às confissões vigentes nos países que os hospedaram, embora sua adesão pareça ser exterior e superficial, com maior atenção aos aspectos coreográficos das cerimônias, como as procissões e as peregrinações, próprias de uma religiosidade popular, sobretudocatólica. Um sinal de mudança se dá pela difusão do movimento pentecostal, ocorrida a partir dos anos 1950, através da Missão Evangélica Cigana, surgida na França. Em seguida a isso, registram-se todavia profundas lacerações no interior de muitas famílias, devido às radicais mudanças de costume que a adesão a essa religião impõe, dada a natureza fundamentalista do movimento religioso em questão. Tais imposições muitas vezes acabam por induzir os roma a uma recusa de suas peculiaridades culturais.
Idiomas
A maioria dos roma fala algum dialeto do romani, língua muito próxima das modernas línguas indo-europeias do norte da Índia e do Paquistão, tais como o prácrito, omarati e o punjabi.
Tanto o sistema fonológico como a morfologia podem ter sua evolução facilmente reconstruída a partir do sânscrito. O sistema numeral também reflete parcialmente o vocabulário sânscrito. Com as migrações, os roma levaram sua língua a várias regiões da Ásia, da Europa e das Américas, modificando-a. De acordo com as influências recebidas, distinguem-se dialetos asiáticos de europeus. Entre as línguas que mais influenciaram nas formas modernas do romani estão o grego, o húngaro e oespanhol.
Educação
"Aumentar o sucesso dos ciganos , do povo roma e das crianças nómadas é responsabilidade de todos dentro do sistema de educação, uma importante medida na eficácia das políticas de combate à exclusão escolar e social." Segundo o relatório de Ofsted de 1999, os alunos ciganos de famílias itinerantes apresentam resultados mais baixos que os de qualquer grupo étnico minoritário e são o grupo de maior risco no sistema de ensino no Reino Unido. O relatório Swann revela diversos factores que influenciam a formação de crianças ciganas da mesma forma que influenciam outros grupos minoritários étnicos. Entre estes factores, os que têm maior peso foram identificados como o racismo e discriminação, mitos, estereótipos e a necessidade de uma maior ligação das escolas com os pais das crianças ciganas.
No Brasil, Mirian Stanescon foi a primeira cigana a a se formar num curso superior. Formou-se em direito na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, em 1973.
Cultura
Os roma não representam, como já se salientou, um povo compacto e homogêneo. Mesmo pertencendo a uma única etnia, existe a hipótese de que a migração desde a Índia tenha sido fracionada no tempo e que, desde a origem, eles fossem divididos em grupos e subgrupos, falando dialetos diferentes, ainda que afins entre si. O acréscimo de componentes léxicos e sintáticos das línguas faladas nos países que atravessaram no decorrer dos séculos acentuou fortemente tal diversificação, a tal ponto que podem ser tranquilamente definidos como dois grupos separados, que reúnem subgrupos muitas vezes em evidente contraste social entre si.
As diferenças de vida, a forte vocação ao nomadismo de alguns, contra a tendência à sedentarização de outros pode gerar uma série de contrastes que não se limitam a uma simples incapacidade de conviver pacificamente. Em linhas gerais poder-se-ia afirmar que os sintos são menos conservadores e tendem a esquecer com maior rapidez a cultura ancestral. Talvez este fato não seja recente, mas de qualquer modo é atribuído às condições socioculturais nas quais por longo tempo viveram.
Em comunicação apresentada durante o encontro Ciganos no século XXI, realizado em Lisboa, em setembro de 2010, o espanhol Santiago González Avión, diretor da Fundação Secretariado Cigano, na Galiza, apontou as divisões entre as próprias comunidades ciganas. "Entre os ciganos de nacionalidade espanhola, a fragmentação é forte. Galegos e castelhanos dividem-se. E há discriminação também entre os ciganos transmontamos, de nacionalidade portuguesa, e os espanhóis", apontou González. O documento também denuncia a situação de pobreza e exclusão social destes grupos.
Quanto aos roma de imigração mais recente, nota-se, ao invés, uma maior tendência à conservação das tradições, da língua e dos costumes próprios dos diversos subgrupos. Sua origem, de países essencialmente agrícolas do leste europeu, favoreceu certamente a conservação de modos de vida tradicionais. Antigamente era muito respeitado o período da gravidez e o tempo sucessivo ao nascimento do herdeiro; havia o conceito da impureza ligada ao nascimento, com várias proibições para a parturiente. O aleitamento ainda dura muito tempo, às vezes se prolongando por alguns anos.
No casamento, tende-se a escolher o cônjuge dentro do próprio grupo ou subgrupo, com notáveis vantagens econômicas. É possível a um rom casar-se com uma gadjí, isto é, uma mulher não-rom, a qual deverá porém submeter-se às regras e às tradições rom. Vige naturalmente o dote. No grupo dos sintos, geralmente o casamento é precedido pela fuga do casal. Aos filhos é dada uma grande liberdade, mesmo porque logo deverão contribuir com o sustento da família e com o cuidado dos menores. No que se refere à morte e aos ritos a ela conexos, o luto pelo desaparecimento de um companheiro dura em geral muito tempo. Entre os sintos parece prevalecer o costume de se queimar a kampína (o trailer) e os objetos pertencentes ao morto. Entre os ritos fúnebres praticados pelos roma está a pomána, banquete fúnebre no qual se celebra o aniversário da morte de uma pessoa. A abundância de alimento e bebidas exprime o desejo de paz e felicidade para o defunto.
Além da família extensa, entre os roma encontramos a kumpánia, ou seja, o conjunto de várias famílias (não necessariamente unidas entre si por laços de parentesco) mas todas pertencentes ao mesmo grupo, ao mesmo subgrupo ou a subgrupos afins.
O nômade é por sua própria natureza individualista e mal suporta a presença de um chefe: se tal figura não existe entre os roma, é entretanto devido o respeito para com os mais velhos, que sempre são solicitados a dirimir eventuais controvérsias.
Entre os roma, a máxima autoridade judiciária é constituída pelo krisnitóri, isto é, por aquele que preside a kris. A kris é um verdadeiro tribunal rom, constituído pelos membros mais velhos do grupo, que se reúne em casos especiais, para resolver problemas delicados, envolvendo controvérsias matrimoniais ou ações que resultem em danos a membros do grupo. Na kris podem participar também as mulheres, que são admitidas para falar. A decisão cabe aos anciãos designados, presididos pelo krisnitóri. Ouvidas as partes litigantes, é punida a parte culpada.
Em tempos recentes a controvérsia se resolve, em geral, com o pagamento de uma soma proporcional ao tamanho da culpa. No passado, se a culpa era particularmente grave, a punição podia consistir no afastamento do grupo ou, às vezes, em castigos corporais.
