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terça-feira, 5 de julho de 2011

A MÉRDA DA " SANTA INQUISIÇÃO " !!

                        
                           " Não permitirás que viva uma feiticeira ". 
                             (Êxodo – Cap. XXII – Versículo XVIII)








No século IV, quando o Cristianismo se propagava, a Igreja Católica havia tomado santuários e templos sagrados de povos pagãos, para implantar sua religiosidade e erigir suas igrejas. 


Nos primórdios do Catolicismo, acreditavam que os pagãos continuariam a freqüentar estes lugares sagrados para reverenciarem seus Deuses. 


Mas com o passar do tempo, assimilariam o cristianismo substituindo o paganismo, através da anulação.






Mesmo assim, por toda a parte, havia uma constante veneração às divindades pagãs. 

Ao longo dos séculos, a estratégia da Igreja Católica não funcionou, e através da Inquisição, de uma forma ensandecida e sádica, as autoridades eclesiásticas tentaram apagar de uma vez por todas a figura da Grande Deusa Mãe, como principal divindade cultuada sobre todos os extremos da Terra. 

O Catolicismo medieval transformou o culto à Grande Deusa Mãe, num culto satânico, promo- vendo uma campanha de que a adoração dos deuses pagãos era equivalente à servidão a satã.



Inquisição é o ato de inquirir, isto é, indagar, investigar, interrogar judicialmente. 

No caso da Santa Inquisição, significa " questionar judicialmente aqueles que, de uma forma ou de outra, se opõem aos preceitos da Igreja Católica ". 

Dessa forma, a Santa Inquisição, também conhecida como Santo Ofício, foi um tribunal eclesiástico criado com a finalidade "oficial" de investigar e punir os crimes contra a fé católica. 

Na prática, os pagãos representavam uma constante ameaça à autoridade clerical e a Inquisição era um recurso para impor à força a supremacia católica, exterminando todos que não aceitavam o cristianismo nos padrões impostos pela Igreja. 

Posteriormente, a Santa Inquisição passou a ser utilizada também como um meio de coação, de forma a manipular as autoridades como meio de obter vantagens políticas.






CAÇA ÀS BRUXAS :


A Santa Inquisição teve seu início no ano de 1184, em Verona, com o Papa Lúcio III. 

Em 1198, o Papa Inocêncio III já havia liderado uma cruzada contra os albigenses (hereges do sul da França), promovendo execuções em massa. 

Em 1229, sob a liderança do Papa Gregório IX, no Concílio de Tolouse, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício. 

Em 1252, o Papa Inocêncio IV publicou o documento intitulado Ad Exstirpanda, que foi fundamental na execução do plano de exterminar os hereges. 

O Ad Exstirpanda foi renovado e reforçado por vários papas nos anos seguintes. 

Em 1320, a Igreja (a pedido do Papa João XXII) declarou oficialmente que a Bruxaria, e a Antiga Religião dos pagãos constituíam um movimento e uma "ameaça hostil" ao cristianismo.



Os inquisidores, cidadãos encarregados de investigar e denunciar os hereges, eram doutores em Teologia, Direito Canônico e Civil. 

Inquisidores e informantes eram muito bem pagos. 

Todos os que testemunhassem contra uma pessoa supostamente herege, recebiam uma parte de suas propriedades e riquezas, caso a vítima fosse condenada.



Os inquisidores deveriam ter no mínimo 40 anos de idade. 

Sua autoridade era outorgada pelo Papa através de uma bula, que também podia incumbir o poder de nomear os inquisidores a um Cardeal representante, bem como a padres e frades franciscanos e dominicanos. 

As autoridades civis, sob a ameaça de excomunhão em caso de recusa, eram ordenadas a queimar os hereges. 

Camponeses eram incentivados (ludibriados com a promessa de ascenderem ao reino divino ou através de recompensas financeras) a cooperarem com os inquisidores. 

A caça às Bruxas tornou-se muito lucrativa.






Geralmente as vítimas não conheciam seus acusadores, que podiam ser homens, mulheres e até crianças. 

O processo de acusação, julgamento e execução era rápido, sem formalidades, sem direito à defesa. 

Ao réu, a única alternativa era confessar e retratar-se, renunciar sua fé e aceitar o domínio e a autoridade da Igreja Católica. 

Os direitos de liberdade e de livre escolha não eram respeitados. 

Os acusados eram feitos prisioneiros e, sob tortura, obrigados a confessarem sua condição herética. 

As mulheres, que eram a maioria, comumente eram vítimas de estupro. 

A execução era realizada, geralmente, em praça pública sob os olhos de todos os moradores. 

Punir publicamente era uma forma de coagir e intimidar a população. 

A vítima podia ser enforcada, decapitada, ou, na maioria das vezes, queimada.






MALLEUS MALEFICARUM :



Em 1486 foi publicado um livro chamado Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas) escrito por dois monges dominicanos, Heinrich Kramer e James Sprenger. 

O Malleus Maleficarum é uma espécie de manual que ensina os inquisidores a reconhecerem as bruxas e seus disfarces, além de identificar seus supostos malefícios, investigá-las e condená-las legalmente. 

Além disso, também continha instruções detalhadas de como torturar os acusados de bruxaria para que confessassem seus supostos crimes, e uma série de formalidades para a execução dos condenados. 

Ainda, o tratado afirmava que as mulheres deveriam ser as mais visadas, pois são naturalmente propensas à feitiçaria. 

O livro foi amplamente usado por supostos "caçadores de bruxas" como uma forma de legitimar suas práticas.


Alguns itens contidos no Malleus Maleficarum que tornavam as pessoas vulneráveis à ação da Santa Inquisição :


  • Difamação notória por várias pessoas que afirmassem ser o acusado um Bruxo.

  • Se um Bruxo desse testemunho de que o acusado também era Bruxo.

  • Se o suspeito fosse filho, irmão, servo, amigo, vizinho ou antigo companheiro de um Bruxo.

  • Se fosse encontrada a suposta marca do Diabo no suspeito.





                                 HECATOMBE :





    Gradativamente, contando com o apoio e o interesse das monarquias européias, a carnificina se espalhou por todo o continente. 

    Para que se tenha uma idéia, em Lavaur, em 1211, o governador foi enforcado e a esposa lançada num poço e esmagada com pedras; além de quatrocentas pessoas que foram queimadas vivas. 

    No massacre de Merindol, quinhentas mulheres foram trancadas em um celeiro ao qual atearam fogo. 

    Os julgamentos em Toulouse, na França, em 1335, levaram diversas pessoas à fogueira; setecentos feiticeiros foram queimados em Treves, quinhentos em Bamberg. 

    Com exceção da Inglaterra e dos EUA, os acusados eram queimados em estacas. 

    Na Itália e Espanha, as vítimas eram queimadas vivas. 

    Na França, Escócia e Alemanha, usavam madeiras verdes para prolongar o sofrimento dos condenados. 

    Ainda, a noite de 24 de agosto de 1572, que ficou conhecida como "A noite de São Bartolomeu", é considerada "a mais horrível entre as ações inquisidoras de todos os séculos". 

    Com o consentimento do Papa Gregório XIII, foram eliminados cerca de setenta mil pessoas em apenas alguns dias.



    Além da Europa, a Inquisição também fez vítimas no continente americano. 

    Em Cuba iniciou-se em 1516 sob o comando de dom Juan de Quevedo, bispo de Cuba, que eliminou setenta e cinco hereges. 

    Em 1692, no povoado de Salem, Nova Inglaterra (atual E.U.A.), dezenove pessoas foram enforcadas após uma histeria coletiva de acusações. 

    No Brasil há notícias de que a Inquisição atuou no século XVIII. 

    No período entre 1721 e 1777, cento e trinta e nove pessoas foram queimadas vivas.



    No século XVIII chega ao fim as perseguições aos pagãos, sendo que a lei da Inquisição permaneceu em vigor até meados do século XX, mesmo que teoricamente. 

    Na Escócia, a lei foi abolida em 1736, na França em 1772, e na Espanha em 1834. 

    O pesquisador Justine Glass afirma que cerca de nove milhões de pessoas foram acusadas e mortas, entre os séculos que durou a perseguição.











segunda-feira, 4 de julho de 2011

OCULTISMO !!

A capacidade humana de questionar-se é uma de suas maiores virtudes ao longo da história. 

O simples ato de buscar o auto-conhecimento, compreender a própria origem e um significado supremo da existência na Terra, conduziu o destino de civilizações, desenvolveu conceitos que se estenderam por vários séculos e gerou um infinito e crescente ciclo ideológico.




A espiritualidade é o combustível desta incessante busca. 

É quem santifica o homem e consagra a terra. 

É quem desenvolve o conhecimento e o direciona ao próprio benefício. 

É neste momento que nasce o conceito de um deus responsável pela criação do universo, de forças e seres superiores que conduzem a existência humana. 

A fé, oriunda no espírito humano, e o dogma, são as principais colunas que sustentam as religiões e doutrinas espalhadas ao longo do globo terrestre.


Se toda religião é formada basicamente de fé e misticismo, podemos compreender que religião e ocultismo estão interconectados. 



Dessa forma, concluímos que ocultismo é o conhecimento secreto das religiões, que pode ser acessível apenas aos membros mais elevados na hierarquia de determinadas ordens.


Na sociedade contemporânea, ocultismo também designa temas sobrenaturais, e até certo ponto, supersticiosos, que não tenham um caráter religioso formal, mas que estejam relacionados às filosofias e doutrinas. 

A religião e o ocultismo também são responsáveis por criar grupos sociais que podem estar associados a manifestações culturais e políticas, por exemplo.




Não existem bases confiáveis para se estabelecer um ponto de partida comum das crenças. 

Mas pode ser na cultura dos babilônios e egípcios do período pré-cristão, que está a raiz do ocultismo ocidental. 

Os deuses e religiões desta época se desenvolveram ao longo das eras, sofreram transformações agregando em si diversos elementos de outras culturas, emergindo novos conceitos e ressurgindo velhas crenças.




Ao longo dos tempos, a humanidade divinizou alguns de seus filhos, que se tornaram profetas e imortais no coração e na crença de tantos outros. 

O homem sagrou terras, erigiu templos e monumentos, louvou a vida e entoou cânticos em nome de suas divindades e da própria fé. 

Mas a fé combinada com a vaidade e a ganância promoveu guerras, escravizou, segregou e retardou a evolução do espírito.




Na Cultura Obscura não há apologia à nenhuma crença ou religião. 

Porém, há, após tantas divagações e suposições, a certeza de que a consciência coletiva caminha em busca do conhecimento e da elevação espiritual, utilizando-se da capacidade de crer e ao mesmo tempo questionar, intrínsecas à alma humana.

O MISTÉRIO DA MORTE !! ELIPHAS LEVÍ !!




A transição dos espíritos ou o mistério da morte. 

Quando o homem adormece em seu último sono, cai primeiramente numa espécie de sonho, antes de acordar do outro lado da vida. 

Cada um vê então, numa bonita fantasia ou num terrível pesadelo, o paraíso ou o inferno nos quais acreditou durante sua existência mortal.


É por esse motivo que muitas vezes a alma atemorizada se lança violentamente na vida que ela acaba de deixar e que mortos, bem mortos quando os sepultamos, acordam vivos sob o túmulo. 

A alma então, não mais ousando morrer, consome-se em esforços inúteis para conservar a vida leguminosa, por assim dizer, de seu cadáver. 



Ela aspira durante seu sono o vigor fluídico dos vivos e o transmite ao corpo enterrado cujos cabelos crescem como uma erva daninha e cujo sangue vermelho colore os lábios. 

Esses mortos tornam-se vampiros; vivem conservados por uma doença póstuma que tem sua crise, como as outras, e que termina por convulsões horríveis durante as quais o vampiro, procurando destruir a si próprio, devora os braços e as mãos. 



As pessoas sujeitas a pesadelos podem fazer uma idéia do horror das visões infernais. Essas visões são o castigo de uma crença atroz e perseguem sobretudo as crenças supersticiosas e os ascetas fanáticos : 

a imaginação está povoada de atormentadores, e esses monstros, no delírio que se segue à morte, aparecem à alma com uma espantosa realidade, cercando-a, atacando-a e dilacerando-a procurando devorá-la. 


O sábio, ao contrário, é acolhido por visões felizes, acredita ver seus amigos de outrora virem a seu encontro e lhe sorrirem. 

Mas tudo isso, dissemos, é apenas um sonho, e a alma não tarda a acordar. 

Então ela mudou de meio, está acima da atmosfera que se solidificou sob os pés de seu envoltório, agora mais leve. 



Este envoltório é mais ou menos pesado; há os que não conseguem se erguer de seu novo solo; há outros que, ao contrário, sobem e pairam livremente no espaço, como águias. 

Mas os liames de simpatia os ligam sempre à terra na qual viveram e sobre a qual se sentem viver mais do que nunca, porque estando destruído o corpo que os separava, têm consciência da vida universal e participam das alegrias e dos sofrimentos de todos os homens. 


Eles vêem Deus como ele é, isto é, presente em toda parte na precisão infinita das leis da Natureza, na justiça que triunfa sempre através de tudo o que acontece, e na caridade infinita que é a comunhão dos eleitos. Eles sofrem, dissemos, mas têm esperança porque amam e estão felizes por sofrer. 

Eles saboreiam pacificamente a doce amargura do sacrifício e são os membros gloriosos, mas que sangram sempre, da grande vítima eterna. 

Os espíritos criados à imagem e semelhança de Deus são criaturas como ele, mas, como ele, só podem criar suas imagens. 

As vontades audaciosas e desregradas produzem larvas e fantasmas, a imaginação tem o poder de formar coagulações aéreas e eletromagnéticas que refletem num instante os pensamentos e sobretudo os erros do homem ou do círculo dos homens que os coloca no mundo. 



Essas criações de abortos excêntricos esgotam a razão e a vida daqueles que os fazem nascer, e têm por característica geral a estupidez e o malefício, porque são os tristes frutos da vontade desregrada. 

Aqueles que não cultivaram sua inteligência durante sua existência ficam, após a morte, num estado de torpor e de estupor cheio de angústias e de inquietude; têm dificuldade em retomar a consciência de si mesmos, estão no vazio e na noite, não podem nem subir, nem descer, e são incapazes de se corresponder seja com o céu, seja com a terra. 

São tirados pouco a pouco desse estado pelos eleitos que os instruem, os consolam e os esclarecem; depois conseguem ser admitidos para novas provações cuja natureza nos é desconhecida, porque é impossível que o mesmo homem renasça duas vezes na mesma terra. 

Uma folha de árvore, depois que cai, não se liga mais ao galho. 

A lagarta torna-se borboleta, mas a borboleta nunca uma lagarta. 

A natureza fecha as portas atrás de tudo o que passa e impele a vida para adiante. 

O mesmo pedaço de pão não poderia ser comido e digerido duas vezes. 



As formas passam, 
o pensamento fica 
e não mais retorna 
o que se usou uma vez.