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terça-feira, 21 de junho de 2011

O CALDEIRÃO DE CLYDDNO EIDDYN !!





Na época em que o lendário Rei Arthur, andava sobre a terra, no obscuro século V, Merlin, amigo e antigo tutor de Arthur, acreditava em uma lenda (ou história verídica).

Na Dumnonia o maior reino da Britânia (atual Inglaterra), Merlin convocou guerreiros e, a partir de suas terras ( Avalon ou Ynys Wydryn) partiu em busca dos artefatos citados nessa lenda para expulsar os invasores saxões do leste da Britânia e também os cristãos, que ele tanto odiava e ameaçavam a antiga religião dos deuses britânicos.

Essa é a lenda dos Treze Tesouros da Britania: eram objetos normais, dados pelos deuses britânicos aos humanos em tempos antigos.

Dizia a lenda que os tesouros reunidos teriam o poder de trazer os deuses antigos para junto dos humanos, porém nenhum dos doze tesouros tinha real importância caso Merlin não possuísse o mais poderoso tesouro : o Caldeirão de Clyddon Eidin.

Doze dos tesouros foram encontrados e reunidos.

Faltava o décimo terceiro, o caldeirão de Clyddno Eiddyn. O poderoso caldeirão não poderia ser encontrado por um cavaleiro, e sim por uma virgem. Para cumprir a missão, Merlin lançou mão da mais bela das suas sacerdotisas, Nimue, por quem nutria uma grande paixão.

Diante do caldeirão, Merlin confidenciou à amada, que de dentro dele viria a porção da vida eterna.

Fascinada pela promessa, Nimue aprisionou Merlin em um carvalho, roubando-lhe tão precioso objecto.
A bela amante do mago desapareceu, levando o caldeirão. Preparou nele todas as porções mágicas que aprendera com o mestre.

Na ilusão de que alcançaria a beleza e juventude eterna, atirou-se ao caldeirão, morrendo escaldada. Ao se libertar da prisão do carvalho, Merlin procurou em vão, pelo caldeirão mágico. Reuniu os mais valentes dos cavaleiros britânicos, mas jamais encontrou tão poderoso talismã.

A busca dos guerreiros pelo caldeirão provavelmente tenha inspirado as lendas cristãs sobre os cavaleiros da távola redonda e sua busca pelo Santo Graal.

Há quem faça uma analogia direta entre o caldeirão e o Graal, atribuindo a eles as mesmas propriedades (entre elas prolongamento da vida), sendo o primeiro a versão celta e o segundo a versão cristã da mesma lenda.



REI ARTHUR !!





Segundo os fundamentos básicos de sua história, Arthur ascende ao trono após a Grã-Bretanha ser invadida e ter o seu rei deposto.

Uma profecia dizia que o único homem que poderia retomar legitimamente o trono seria aquele capaz de retirar uma espada de uma rocha antiga.

Um dia, um jovem forasteiro subiu na rocha e retirou a espada sem nenhum esforço.

Os camponeses comemoraram, pois finalmente teriam um novo rei.



Em algumas histórias, a espada que Arthur retira da rocha é Excalibur. Em outras, ele ganha Excalibur de uma mulher conhecida como a Dama do Lago, uma ninfa misteriosa associada à ilha mágica de Avalon.

Arthur entra no lago em uma barcaça e a dama (chamada por diferentes nomes, desde Nimue até Viviane, dependendo da versão) levanta sua mão de dentro do lago segurando a espada e a entrega a ele.

Em algumas narrativas, Merlin, o mago, aparece neste momento da vida de Arthur, mas em outras ele aparece durante a infância.

Como a Dama do Lago, ele é freqüentemente associado a Avalon e também às lendas pagãs, mas também é retratado como um profeta do Santo Graal. Depois que Arthur se torna rei, ele constrói Camelot, um castelo fortaleza.

Para lutar contra as forças do mal que persistem saqueando e pilhando no interior do país, ele recruta os melhores cavaleiros do país para se juntarem a ele. Esses cavaleiros se tornam os Cavaleiros da Távola Redonda.

Alguns aparecem várias vezes nas lendas, e têm suas próprias histórias, incluindo Lancelot, Gawain, Bedevere e Galahad. Durante suas viagens, Arthur conhece e se casa com uma linda jovem chamada Guinevere.

Depois de Arthur e seus cavaleiros derrotarem todos os forasteiros e acalmarem os reinos da Grã-Bretanha, há um período de paz e felicidade em uma Camelot utópica. Porém, Lancelot, o companheiro e cavaleiro mais leal de Arthur, apaixona-se pela Rainha Guinevere e é correspondido.

Em algumas versões da lenda, esse romance secreto é o que leva à queda do Rei Arthur e de Camelot. O caso é descoberto e Arthur vai para a guerra com Lancelot após condenar Guinevere à morte. Em outras versões, um homem chamado Mordred tenta tomar o trono e Guinevere para si.

Em algumas delas, isso acontece com a ajuda da meia-irmã de Arthur, uma pagã chamada Morgana le Fay.

No fim das contas, Arthur e Mordred se encontram na Batalha de Camlann. Mordred é morto e Arthur fica gravemente ferido. Caído no campo de batalha, Arthur conta a Sir Bedevere que precisa devolver Excalibur ao lago.

Primeiro Bedevere resiste, sabendo do poder de Excalibur. Mas finalmente, ele atira a espada na água e um braço feminino emerge para pegá-la. Arthur, ferido, é levado até Avalon para se recuperar dos ferimentos.

Em algumas histórias, Arthur morre e é enterrado lá. Em outras, ele se recupera e aguarda pelo momento certo de reaparecer e unir novamente a Grã-Bretanha.




Ele une vários reis regionais britânicos contra inimigos comuns e luta contra inúmeros invasores.

Também sai em busca doSanto Graal, um cálice que Jesus usou na Última Ceia e que dizem conter o segredo da imortalidade.

A lenda diz que quando a Grã-Bretanha estiver mais necessitada de seus serviços, Arthur voltará.




A TÁVOLA REDONDA !!





Arthur fixou residência em Camelot e ali esperou Guinevere, que veio acompanhada por 100 Cavaleiros da Irmandade da qual trouxeram consigo a Mesa Redonda.
O rei casou-se com Guinevere, e ela também recebeu o juramento dos Cavaleiros.
Enquanto Merlin narrava a história de cada um, nos respaldes das cadeiras apareciam os nomes correspondentes em letras de ouro. Mas as cadeiras situadas à direita e à esquerda do rei ficaram vazias. Merlin informou que a cadeira da esquerda seria preenchida em breve, enquanto a da direita, não seria ocupada por anos.
Em Camelot, os 250 integrantes da Irmandade ficaram reduzidos a 100. Este número significa o quadrado da medida sagrada terrestre e é o que corresponde a uma Cavalaria terrenal, que abarca toda a Terra, conceito que faz de Arthur o rei do Mundo.
Esse critério confirma as cifras do número 100 (1 + 0 + 0 = 1), e a couraça dourada do rei, que o identificava com a Luz e com a suprema iluminação. Outras versões dizem que o número de Cavaleiros era 25 ou 13, dentre os quais estaria o próprio Arthur. No centro, existe uma rosa branca de cinco pétalas, rodeada de outra rosa similar de cor vermelha, e na volta existe uma inscrição em letra gótica, que diz : " Esta é a Mesa Redonda do rei Arthur e de seus XXIV valentes Cavaleiros ".
Da parte superior da rosa, levanta-se um trono baixo, em cujo dossel está sentado um rei que segura em suas mãos os símbolos de seu poder: uma Espada na direita e um globo do Mundo coroado por uma Cruz de Malta na esquerda. Nos lados existe uma inscrição: "Rei Arthur".
O rei Arthur criou um costume de que seus Cavaleiros sempre contassem alguma aventura no início de algum banquete, e dessa forma, criou-se uma pauta de comportamento. Todos os Cavaleiros "andantes" marchavam em busca de aventuras.
A maior parte das aventuras da Irmandade ocorreu nas densas florestas. Os bosques simbolizavam um mundo não civilizado, mas também representavam um estado mental, um lugar que se procuraria alcançar.
Os bosques também faziam parte do "Outro Mundo", uma vasta extensão inexplorada situada nas fronteiras entre o mundo da Terra Média e os domínios do País das Fadas. Eram lugares impregnados de encantamentos e somente àqueles que fossem resolutos era permitido encontrar aquilo que se haviam dispostos a buscar.
De suas profundezas surgiam fadas encantadoras que seduziam os Cavaleiros errantes, mesclando, dessa forma, a linhagem do "Outro Mundo" com a da Irmandade. Nem todas essas mulheres encontradas nos bosques eram gentis de aparência e de palavra.
Ragnall, um dos muitos arquétipos da Deusa da Terra, que lhe outorga a soberania, tomou a forma de uma dama de aparência monstruosa, que com suas artimanhas conseguiu que o próprio rei Arthur prometesse lhe dar Sir Gauwain como marido.
Posteriormente, ela recobrou sua verdadeira beleza graças ao amor e à compreensão de Gauwain.Todas essas aventuras eram relatadas ao rei Arthur por sua Ordem da Cavalaria, mas a Távola Redonda representava muito mais que um lugar de reunião para a Irmandade.
Segundo algumas lendas, nos reinos celestiais se reunia um conselho de poderosos seres encarregados da execução dos desígnios divinos para a Criação.
Dessa forma, Merlin construiu um templo circular sobre a Távola da Terra, criando uma relação entre os domínios estelares, a monarquia terrenal de Arthur, a qualidade sagrada da Terra com as mensagens e Mistérios do Graal e a Irmandade da Távola Redonda, que estava destinada a ir em busca do vaso sagrado.




ÁVALON !!





Avalon, a terra dos Deuses, a ilha das maçãs...

Reino perfeito de amor e beleza, a busca constante de todo o ser humano que, apesar de suas desilusões, ainda tem a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, um lugar melhor para se viver.

Conhecida como Tir na nÓg - Ilhas Afortunadas, a Terra da Eterna Juventude, a Ilha das Mulheres, local onde a doença e a morte não existem.

O Outro Mundo celta é descrito como um local paradisíaco, habitado por Deusas e Deuses, heróis e heroínas, conhecidos, também, através do mito irlandês de Oisín, um dos poucos mortais que ali viveram, e o seu relacionamento com a bela Niamh dos cabelos de ouro. Um lugar de eterna beleza e felicidade, onde a música, a dança, a vida e todas as atividades prazerosas se reuniam.

Este Outro Mundo é Avalon, associada aos seres mortais e imortais, como os Tuatha Dé Danann, Arthur e seus companheiros, Morgana, Nimue e Merlin, o mago. A Terra da Promessa, espécie de paraíso celta, às vezes chamado Emain Ablach, nome no qual se encontra o termo que designa as macieiras, o que remete para a ilha de Avalon da lenda arthuriaria.

A maçã representa a imortalidade, o conhecimento e a magia. Existem vários relatos referentes a sua simbologia e às viagens célticas, conhecidas como Immran, ao Outro Mundo, supostamente, uma realidade contígua à realidade comum.

Avalon também recebe o nome de Ilha Afortunada, pois suas colheitas são fartas e abundantes. Diz a lenda que, era governada por Morgana e suas nove irmãs, sacerdotisas guardiãs do caldeirão do renascimento, símbolo da Deusa Mãe, capaz de curar todos os males. Além de evocar as brumas para adentrarem à ilha encantada.

Avalon está associada a Caer Siddi (Fortaleza das Fadas), o Outro Mundo ou Annwn, a Terra da Eterna Juventude. Ilha feérica, onde apenas o povo das fadas e os nobres cavalheiros de alma pura podiam adentrar.

Avalon, a lendária ilha, onde Excalibur, a espada do Rei Arthur, foi forjada e para onde o próprio rei tinha voltado vitorioso depois da sua última batalha, para ser curado de um ferimento mortal. A ilha sagrada é regida por Morgana, sacerdotisa e feiticeira, rodeada por nove donzelas sacerdotisas, responsável pela cura de Arthur.



Sendo um lugar misterioso e sobrenatural, associada a Glastonbury, Avalon é a ilha onde Arthur permanece vivo, através de artes mágicas, esperando a hora do regresso.

Quando, em 1191, os monges de Glastonbury encontraram a suposta sepultura de Arthur, no cimo de um pequeno monte, que dantes se encontrava circundado de água, disseram ser este o local da mítica ilha de Avalon. A inscrição no túmulo dizia :


" Aqui jaz, enterrado na Ilha de Avalon, o conhecido Rei Arthur ".



Em uma posição de poder e conhecimento, Morgana confere às mulheres uma importante retomada de sua posição forte no culto às Deusas.

O mosteiro de Glastonbury tinha a tradição de ter sido fundado por José de Arimatéia, que contam, teria trazido o Santo Graal para as Ilhas Britânicas e por isso era um lugar ligado à busca do Graal, entre outras lendas.



A DAMA DO LAGO !!





Dama do Lago (Nimue ou Fada Viviane como é mais conhecida) é, de acordo com a lenda, uma das sacertotisas de Avalon ou até a mais importante delas. Filha de Diana, a deusa dos bosques e irmã mais velha de Igraine a fada tinha a missão de proteger e entregar a espada mágica do Rei Arthur a sagrada Excalibur.

Ela foi morta por Balim, irmão de criação de seu filho Balam, enquando estava na comemoração de Pentecostes para pedir ao rei mais uma vez que ele fosse fiel às suas promessas sobre os antigos povos.

Lancelot matou Balim em vingança da morte da mãe. O corpo da Dama do Lago não foi levado até Avalon para a despedida das outras sacerdotisas, e sim a Glastonbury,por ordens de Artur. Diz a lenda que a Dama do Lago raptou o pequeno Lancelote e o levou para viver com ela em seu palácio sob as águas.

Ali se encontravam Boores e Lionel, primos de Lancelote. A Dama criou os três meninos como se fossem seus filhos. Lancelote cresceu sem conhecer sua verdadeira identidade, que sua mãe adotiva só lhe revelou quando fez 18 anos.

Nesse momento, a Dama do Lago levou Lancelote a Camelot para ser armado cavaleiro e é ela quem, contrariando a tradição, impõe as armas a seu filho em frente ao rei Artur. Ela acompanhou as aventuras de Lancelote e contribuiu com sua magia para o êxito de várias delas.

Na obra de Troyes, entrega-lhe um anel mágico que o protege de qualquer encantamento. A Dama é explicitamente descrita como uma fada (fay) e se menciona pela primeira vez o caso de amor entre ela e o mago Merlin.

Ela é responsável pelo desaparecimento do mago ao encerrá-lo por toda a eternidade em uma gruta, aproveitando-se de sua influência sobre o mago enamorado.



O pai da Dama do Lago, Viviane, é Dyonas ou Dionás, cavaleiro da corte do Duque de Borgonha, seu sogro. Dionás tornou-se amigo da deusa Diana, que lhe deu um presente especial: que sua filha seria amada pelo mago mais poderoso do mundo.

O Duque presenteou Dionás com a floresta de Briosque, onde Viviane nasceu. Merlin ensinou à Dama seus segredos em troca da promessa que esta lhe fez de que, em troca, ela lhe entregaria seu amor. Apesar disso, Viviane aproveitou o conhecimento desses segredos para aprisionar Merlin. O mago já havia visto seu próprio destino, mas não foi capaz de evitá-lo.




A Dama do Lago chega à corte de Artur para presenteá-lo com a espada Excalibur e exigir a cabeça de Sir Balin, antigo inimigo de sua família. Sir Balin descobre a identidade da Dama e a decapita, desonrando a corte de Artur.

No final da obra, Sir Bedevere, outro cavaleiro da Távola Redonda, lança Excalibur à água e uma mão surge da superfície para recebê-la. A mão aparentemente pertence à Dama do Lago.

Em algumas versões, a Dama deu a Artur a escolha entre uma taça, uma lança, um prato e uma espada, como símbolo da união de Camelot com Avalon. Depois que Artur escolheu Excalibur, foi criada para a espada uma bainha com o poder de impedir seu portador de derramar uma só gota de sangue.




segunda-feira, 20 de junho de 2011

O SANTO GRAAL !!





O Santo Graal é um dos mais antigos e enigmáticos mitos da humanidade. Sob uma análise superficial, é o cálice usado por Jesus Cristo, no episódio da Última Ceia e que contém seu sangue, que havia sido recolhido no momento da crucificação.O termo Graal, no francês arcaico, significa bandeja. Por outro lado, pode ter origem latina, no vocábulo Gradalis, que significacálice. Já o termo Sangraal seria uma variação etimológica deSangue Real.

A origem do mito pode ser analisada sob um ponto de vista pré-cristão. Sabe-se que entre os celtas, recipientes utilizados para armazenar alimentos, eram considerados objetos sagrados.

Este conceito estende-se ao caldeirão mágico (representando o útero da Deusa) referencial de ritos pagãos, capaz de renovar e ressuscitar.Portanto, partindo do princípio que os celtas instalaram-se em diversas regiões da Europa, inclusive onde atualmente é o Reino Unido, e as primeiras citações históricas do Graal referem-se às lendas arthurianas, que, por sua vez, surgiram nesta região, é possível que o mito do Cálice Sagrado tenha apenas se transportado através dos séculos e sido adaptado ao Graal; desta vez, através de uma releitura cristã.

Porém, mesmo entre os celtas, já havia uma lenda semelhante de um valoroso líder que saía em busca de um caldeirão sagrado.Numa narrativa mais fantasiosa, o próprio Cristo, quando esteve na Cornualha, recebeu de presente um cálice de um druida (sacerdote celta).

Jesus atribuía um valor especial e este objeto. Após o episódio da crucificação, José de Arimatéia decidiu levar o objeto, já santificado pelo sangue de Jesus, de volta ao sacerdote celta. Este sacerdote celta seria Merlin, o poderoso mago das lendas da Távola Redonda.Há, pelo menos, duas versões para justificar a origem e o desenvolvimento histórico do mito.

Numa primeira análise, a lenda conta que José de Arimatéia recolheu no cálice utilizado na Última Ceia, o sangue de Jesus, no momento em que este era crucificado, após o último golpe de lança aplicado pelo soldado romano conhecido por Longinus. José, que era membro do Sinédrio (tribunal judeu) e um homem de posses, solicitou ao imperador Poncio Pilatos o corpo de Cristo como uma "recompensa" por seus préstimos ao império.

Pilatos atendeu ao pedido e José enterrou o corpo de Cristo em suas terras.Após este fato, José de Arimatéia, que secretamente era seguidor de Cristo, teria sido feito prisioneiro pelos judeus por ocasião do sumiço do corpo de Cristo. José ficou muito tempo como prisioneiro numa cela sem janelas, alimentando-se apenas de uma hóstia diária, entregue por uma pomba que se materializava.

Certa vez, o próprio Cristo surgiu diante de José entregou-lhe o Graal com a missão de protegê-lo.Após conquistar a liberdade, utilizou-se de uma conhecida rota comercial e viajou para Inglaterra, levando consigo o Cálice Sagrado.

Ao chegar, reuniu alguns discípulos de Cristo e fundou uma pequena Igreja, onde atualmente há as ruínas da Abadia de Glastonbury. Porém, não é
possível afirmar onde o Graal teria sido ocultado a partir deste momento.

Numa segunda versão, Maria Madalena (que em interpretações não-canônicas, poderia ser esposa de Cristo), teria tomado posse do cálice e levado para a França, onde passou o resto da vida.

Em ambas versões, após o Cálice Sagrado chegar em terras européias, seja através de Maria Madalena ou José de Arimatéia, segue diversas rotas entre os alguns países deste continente e confunde-se entre a história e a literatura medieval.



A continuidade mais conhecida sobre o destino do Graal, atesta que este teria ficado sob a tutela dos Templários. Assim, os Cavaleiros teriam levado o cálice para a aldeia francesa de Rennes-Le-Château.

Sob outra narrativa, o Graal teria sido levado para a cidade de Constantinopla e em seguida para Troyes, onde no período da Revolução Francesa (a partir de 1789), teria desaparecido misteriosamente.Uma outra versão atesta que os cátaros, um grupo cristão que vivia isolado na fortaleza de Montsegur e pregava uma fé simples, oposta às imposições clericais, ocultavam uma relíquia religiosa de valor muito alto.

Mas, em meados do século XIII, os cátaros foram vítimas de uma invasão de cruzados ordenada pelo Papa. Mais de duzentos membros da doutrina foram queimados sob a acusação de heresia e a misteriosa relíquia desapareceu durante a investida dos soldados. Mas não há nenhuma evidência confiável indicando que fosse o Graal.

Neste mesmo período, surgem boatos de que os cruzados que regressavam de Jerusalém traziam consigo uma âmbula contendo o sangue de Cristo; contradizendo e confundindo ainda mais a rota histórica do Santo Graal.

Entretanto, através de estudos arqueológicos e investigações profundas, tomando como base também os primeiros registros literários, foi possível traçar uma linha mais próxima da realidade sobre a trajetória do Graal na Europa e na história.Inicialmente, nos primeiros três séculos após chegar em solo europeu, o cálice teria ficado na Itália.

Por volta do século III, o monge São Lourenço o levou para a região dos Pirineus Orientais, na Espanha. Noutra versão, seria um ermitão de nome Juan de Atares.Ainda, seguindo a rota sugerida nas obras literárias medievais, principalmente em Parzifal (Wolfram von Eschenbach), o cálice teria sido ocultado no monastério de San Juan de La Penha, na cadeia montanhosa dos Pirineus.

Neste ponto há uma conexão real entre a obra de Eschenbach e o relato histórico do monge São Lourenço que conduziu o cálice até os Pirineus.Ainda tomando por base a obra Parzifal, porém, havendo neste ponto um "vácuo histórico", o Santo Graal passa por Zaragoza e surge, desta vez, na Catedral de Valência, na qual há uma pequena capela, construída no século XIV, conhecida como Capela do Santo Cálice.

Neste local, aos olhos dos visitantes mas protegido por um sacrário à prova de balas, encontra-se um cálice ostentado há mais de seiscentos anos como o legítimo Santo Graal.As evidências científicas atestam que esta relíquia foi produzida entre a segunda metade do primeiro século antes de Cristo e a primeira metade do primeiro século da era Cristã.

Ainda, esta peça foi produzida em ágata roxa na região de Alexandria ou Antioquia; mas, posterior-mente, já na Espanha, no século XIII, recebeu adornos de ouro e de pedras preciosas como esmeraldas e rubis, tendo o conjunto uma altura de aproximadamente 17 centímetros.Portanto, é cientificamente comprovado que o Cálice da Catedral de Valência foi produzido no período e região correspondente à versão cristã do Santo Graal.

Mas a Igreja não o aceita como uma relíquia religiosa e também não é possível atestar que seja este o cálice que comportou o sangue de Cristo.Entre tantos aspectos simbólicos atribuídos ao Graal, muitos nasceram na interpretação dos artistas que, ao longo dos séculos, recondicionaram a lenda de diversas formas, principalmente na literatura medieval.

Por volta do ano 1190, o romance de Chrétien de Troyes intitulado Le Conte du Graal, narra a busca pelo cálice. Trata-se de um poema inacabado contendo nove mil versos que abordam a busca pelo Santo Graal. Interessante é que o lendário Rei Arthur não participa diretamente da epopéia, que finaliza sem que o objeto almejado seja encontrado.

Esta obra foi o ponto de partida para as obras futuras abordando o tema.Entre 1200 e 1210, o francês Robert de Boron, publicou Roman de L'Estoire du Graal; o que popularizou ainda mais o tema e inseriu os elementos históricos não muito diferentes dos que são conhecidos atualmente. Outra obra de Boron, Joseph d'Arimathie, traça conexões simbólicas interessantes ao citar que José de Arimatéia foi ferido na coxa por uma lança.

Em outra versão, o ferimento é nos órgãos genitais. Percebe-se, portanto, uma associação entre a lança, arma utilizada pelos soldados romanos, e a espada, principal arma e uma das maiores referências das lendas arthurianas (como a mítica Excalibur).

Assim, o ferimento nos genitais sofrido por José em virtude de sua quebra do voto de castidade, associa-se à traição de Lancelot, um dos componentes da Távola Redonda e homem de confiança de Arthur, que tornou-se amante de Guinevere, esposa do Rei.Nesta mesma época, a obra Parzifal do autor alemão Wolfram von Eschenbach associa o Graal a uma esmeralda também chamada Exillis, Lapis exillisou Lapis ex coelis (pedra caída do céu).

Esta esmeralda seria parte do terceiro olho de Lúcifer, que se partiu quando o anjo se rebelou contra o Reino Divino. Uma das partes desta esmeralda teria sido entregue aos templários para que ficasse protegida de intenções malignas. Deste modo, pode-se entender também que a esmeralda (que neste caso é o Santo Graal) faz alusão à mítica Pedra Filosofal dos alquimistas.

Já na obra Le Grand Graal, continuação de autoria anônima da epopéia de Robert de Boron, o Graal é um livro escrito por Jesus, que apenas aqueles que estivessem "imersos na Graça Divina" poderiam lê-lo e compreendê-lo.O livro The Holy Grail, Its Legends and Symbolism, de Edward Waite, reúne vários elementos utilizados nas lendas medievais sobre o Graal. Joseph Goering, professor de história da Universidade de Toronto e autor de The Virgin and the Grail (A Virgem e o Graal), acredita que as pinturas datadas do século XII encontradas em oito igrejas nos Pirineus, entre a França e a Espanha, ilustram a Virgem Maria segurando um recipiente luminoso conhecido pelo nome de graal no dialeto local.

O americano Dan Brown, autor de O Código Da Vinci, também cita amplamente o Graal em sua obra e conecta a vida de Jesus Cristo, Maria Madalena, Leonardo Da Vinci e outras referências históricas sob uma perspectiva fictícia.

Ainda, seja sob a ótica cristã ou pagã, muitos dos aspectos do Graal estão relacionados com a busca da perfeição. Por exemplo, quando Arthur e os cavaleiros partem em busca do Cálice Sagrado que poderia evitar a queda de seu reinado, estão buscando virtudes como nobreza e justiça.

Arthur e a Távola Redonda podem ser, respectivamente, associados a Jesus e seus apóstolos. Judas Iscariotes é o seguidor que traiu seu líder (Jesus Cristo) assim como Lancelot traiu Arthur ao se envolver com Guinevere.

A lança que fere Cristo pode ser interpretada como o elemento masculino; o cálice como o útero feminino. Portanto, há o simbolismo do sangue nobre (de Jesus Cristo) fecundando o "útero mágico" representado pelo Graal.No entanto, o Santo Graal pode ser uma metáfora que refere-se à própria Maria Madalena que, sendo ela esposa de Cristo (em interpretações, obviamente, não aceitas pela Igreja), seria portadora da linhagem sagrada do Filho de Deus.

Através de uma análise histórica, o Graal pode ser compreendido como a motivação que os cruzados encontraram após a decepção das mal sucedidas batalhas na Terra Santa. Neste caso, o Graal representa um novo ideal de vida aos que foram derrotados pelos "infiéis".

Sob um ponto de vista mais amplo, o Santo Graal, Rei Arthur e a lendária Excalibur são arquétipos distintos que traçam um mesmo conceito: o Rei (líder) virtuoso que, por seus méritos, conquista uma poderosa espada e torna-se invencível, partindo em busca de um objeto mágico capaz de restabelecer a ordem, a paz e a prosperidade em seu reino.

De qualquer forma, na condição de uma relíquia histórica da cristandade ocidental, não é possível avaliar o Santo Graal encontrado atualmente em Valência ou o Santo Graal metafórico do imaginário medieval; pois ambos têm valores distintos e igualmente incalculáveis.

O Santo Graal é uma referência secular de valores humanos perdidos que, simbolicamente, serão resgatados por um profeta, um valente guerreiro, um líder de uma nação ou simplesmente por quem se revelar digno de portá-lo.